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O dia-a-dia das mãos

 

CORTES COM FACAS NA COZINHA

Cozinhar pode ser um maravilhoso hobby, uma atividade divertida e que traz grande prazer. Cada vez mais pessoas buscam o aprimoramento da técnica culinária e aprendem novas e elaboradas receitas. A cozinha tornou-se um local de convivência dos amigos e da família.

 

No entanto, é preciso estar muito atento ao manusear um utensílio fundamental: a faca. Quem cozinha sabe que, quanto mais afiada, melhor. Basta um descuido e as facas (bem como descascadores e raladores) podem cortar não só os ingredientes, mas as mãos ou dedos dos chefs de cozinha.

 

O que estes cortes podem provocar?

 

Cortes nas mãos e dedos podem ser superficiais e atingir somente a pele, provocando um sangramento local, que logo é estancado e em alguns dias já está cicatrizado. Cortes mais profundos podem atingir um nervo, uma artéria ou um tendão.

 

Lesão no nervo será percebida pela alteração de sensibilidade na ponta do dedo, choques ou dormência. Na maioria das vezes, o tratamento é cirúrgico, sendo necessário enxerto de nervo nos casos mais graves.

 

Lesão arterial prejudica a irrigação sanguínea do dedo, levando ao que chamamos de isquemia (suspensão da irrigação sanguínea). Algumas vezes, são necessárias cirurgias de revascularização.

 

Lesão do tendão provoca a perda da posição normal de repouso dos dedos e a articulação não consegue se mover. Parecidos com elásticos, os tendões ligam músculos aos ossos e vivem sob tensão. Quando cortados, se separam completamente sendo impossível a cicatrização dos mesmos, sendo necessária uma intervenção cirúrgica.

 

O que fazer ao me cortar?

 

É recomendado lavar com água e sabão e fazer um curativo com gaze e esparadrapo, de forma a comprimir o local para diminuir o sangramento.

 

Caso seja uma lesão profunda, procure imediatamente um médico especialista em mãos. O correto tratamento precoce pode reduzir os riscos de sequelas como perda de movimento, perda de sensibilidade e, em situações extremas, até a perda do dedo. O especialista poderá recomendar curativos, cuidados hospitalares, reabilitação e até mesmo o tratamento cirúrgico.

 

Como posso prevenir esse tipo de acidente?

 

Use sempre facas secas. Facas molhadas podem ter resquícios de sabão e escorregar das mãos.

 

A posição correta para cortar é segurando o alimento com os dedos na vertical, não na horizontal. Sempre apoie os alimentos firmemente numa tábua e nunca corte nada segurando na mão. Atenção para a ponta da faca, ela também machuca.

 

Dobre a concentração ao utilizar utensílios cortantes na cozinha. O excesso de confiança e a força do hábito são grandes riscos. Evite assistir televisão ou conversar enquanto executa a tarefa de cortar. Esteja sempre atento! E conte com uma mão do seu médico especialista sempre que precisar.

 

ESTALAR OS DEDOS FAZ MAL?

Trek, trek, trek... quem nunca estalou os dedos da mão e se deliciou com esse barulhinho? Ou quem nunca se irritou com esse mesmo barulho, vindo de alguém estalando os dedos ao lado?

 

O fato é que estalar os dedos voluntariamente pode se tornar um hábito, uma mania ou até uma compulsão. Alguns dizem que sentem a necessidade de estalar os dedos em busca de alívio ou relaxamento. Outros o fazem por costume ou puro prazer.

Mas afinal, o que acontece quando estalamos os dedos?

 

Muita gente acha que o som proveniente do estalido de dedos tem a ver com o atrito dos ossos. Mas isso não é verdade. Primeiro, precisamos saber que a área de contato entre dois ossos são chamadas articulações.

 

Quando estalamos os dedos, esticamos essas articulações e afastamos os ossos. O espaço no interior das articulações aumenta e a pressão diminui. O líquido sinovial, um líquido especial que lubrifica a região, pelo gradiente de pressão, forma bolhas, que em seguida estouram, fazendo o famoso trek, trek.

 

Leva-se cerca de 20 minutos para o líquido se recompor e é por isso que não é possível estalar os dedos seguidamente.

 

O alívio que é sentido ao estalar os dedos vem da estimulação de um conjunto de terminações nervosas, que provocam o relaxamento dos músculos ao redor da articulação. Essa sensação provavelmente é a mais viciante.

 

Estalar os dedos é um mau hábito?

 

Estalar os dedos eventualmente não traz consequências. Mas quando se torna uma ação frequente, ou compulsiva, acredita-se que pode acarretar problemas nos dedos das mãos como: danos e frouxidão nos ligamentos (estruturas que estabilizam as articulações), lesões articulares, diminuição de força, deformidade nos dedos e até mesmo doenças articulares degenerativas (como artrite).

 

E como faço para parar de estalar os dedos?

 

Uma razão comum para as pessoas estalarem os dedos é a ansiedade. Nesse caso, tome a decisão de se livrar do mau hábito. Busque alívio para a ansiedade através de atividade física, terapias comportamentais, acupuntura, psicoterapia e até mesmo tratamento com um médico psiquiatra. Ou comece, simplesmente, encontrando uma atividade que lhe seja prazerosa e que sirva de válvula de escape para grande loucura da rotina diária.

 

Algumas pessoas sentem a necessidade de estalar os dedos por sentirem desconforto, dor ou a sensação de que a articulação está “presa”. Se isso acontecer, procure imediatamente um médico especialista em mãos, pois pode ser sintoma de alguma disfunção articular, problemas tendíneos (como dedo em gatilho) ou lesões ligamentares. Ele vai indicar o melhor tratamento e estenderá as mãos para cuidar das suas.

 

OS POLEGARES E OS CELULARES

Muitas pessoas usam o celular o tempo todo para navegar na internet e trocar mensagens, usando e-mails ou aplicativos de mensagens instantâneas como o WhatsApp.

Isso tem sobrecarregado os polegares. Estes dedos, que tem como função básica apoiar e segurar, estão sendo utilizados para realizar movimentos curtos e repetitivos nas diminutas teclas em touchscreen dos aparelhos.

Assim, a dor nos polegares tem se tornado uma queixa frequente nos consultórios, a chamada “síndrome do polegar”.

Quem é o público mais atingido?

 

A lesão no polegar causada por movimentos repetitivos atinge adolescentes e jovens adultos, que usam os celulares com alta frequência para jogar, bater papo e participar das redes sociais, além de executivos que ficam conectados o tempo todo para trabalhar.

O que pode ser feito?

 

O tratamento básico consiste em mudar os hábitos. É preciso usar menos o celular para digitar e, sempre que for necessário escrever textos longos, recorrer a um teclado mais ergonômico. O WhatsApp Web, por exemplo, pode ser usado para conversar com os seus contatos diretamente no computador, de forma sincronizada com o celular. Saiba como neste link: https://web.whatsapp.com

Digitar mais devagar, usar outros dedos e usar canetas touchscreen também são estratégias válidas.

É importante fazer pausas a cada hora, aproximadamente, e alongar antebraço, punho e dedos.

Em alguns casos mais sérios, é preciso imobilizar os dedos e iniciar um tratamento com medicação e reabilitação. Na associação com rizartrose (desgaste e inflamação na articulação da base do polegar), dedos em gatilho ou algumas tendinites (como a tenossinovite de De Quervain), uma intervenção cirúrgica pode ser necessária.

Se você sentir dores nos polegares, procure um ortopedista especialista em mãos para avaliar seu quadro e dar maiores orientações

 

FESTAS JUNINAS COM SEGURANÇA

As festas juninas são marcadas por danças e pratos típicos, além de muita animação. Quem não gosta de quentão e vinho quente, milho, pinhão, paçoca e arroz doce? Quem nunca vestiu uma roupa xadrez e arriscou dançar quadrilha? Nessas festas o que também não falta são fogueiras e fogos de artifício.

Só que, infelizmente, essas brincadeiras podem gerar acidentes, como queimaduras ou até mesmo amputações, principalmente de dedos e mãos. E para não estragar a diversão, alguns cuidados devem ser tomados.

 

Como são essas lesões?

As lesões mais comuns são queimaduras, principalmente nas mãos e braços. As mais simples exigem apenas bons curativos. As mais complexas podem demandar cirurgias reparadoras. Uma complicação possível é a instalação de infecções, pois a pele é o que nos protege das bactérias. E dependendo da infecção, pode levar até a morte. Outras lesões frequentes são as mutilações com perda de dedos e até mãos.

O que fazer em caso de acidente?

No caso de queimaduras, procure imediatamente um pronto socorro ou um médico especialista em mãos. Lave o machucado com água limpa corrente em temperatura ambiente, sem esfregar ou cobrir. Não passe nada no local queimado. Lembre-se da possibilidade de pegar infecções.

Em caso de lesões graves com mutilação, eleve a mão e o braço atingido para diminuir a hemorragia e corra para o posto de saúde mais próximo que o encaminhará para um médico especialista em mãos. O sucesso na recuperação depende muito da agilidade desse atendimento, já que nas primeiras horas é fundamental a adoção de procedimentos específicos da área de cirurgia de mãos.

Que cuidados devemos ter para prevenir esses acidentes?

 

Se beber, não solte fogos ou brinque perto da fogueira. Não se aproxime da fogueira segurando copos de vinho quente ou quentão, pois são inflamáveis. Molhe sempre primeiro a madeira com álcool e depois acenda. Nunca jogue o álcool na brasa, pois o fogo pode se alastrar pela mão de quem está acendendo.

Jamais solte o rojão segurando diretamente com as mãos. O ideal é usar varetas para afastá-los pelo menos 60 cm da mão. Siga sempre as instruções das embalagens. Respeite a distância de 30 a 50 metros de pessoas, construções e carros e nunca deixe uma criança soltar fogos.

E em caso de acidentes, lembre-se: procurar rapidamente as mãos do médico especialista pode determinar o sucesso do seu tratamento.

* Dr. Hugo Nakamoto é Cirurgião plástico e Cirurgião de Mão na Clínica Essere e colaborou com este texto.