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Doenças das mãos e punhos

 

DOENÇAS QUE PODEM SER INCAPACITANTES

Algumas doenças das mãos são extremamente comuns e frequentes, com possibilidade de tratamentos bastante eficientes no controle dos seus sintomas. No entanto, se não forem acompanhadas adequadamente, podem evoluir e se manifestar de uma forma mais severa, com a chance de tornarem-se incapacitantes, com baixa perspectiva de reabilitação.

 

A presença delas e seu diagnóstico não são suficientes para denominá-las “incapacitantes”, mas é preciso ficar atento e fazer o acompanhamento de perto.

 

As principais doenças são:

 

Osteoatrite: é uma doença crônica degenerativa da cartilagem e dos ossos que pode afetar as mãos, causando dores articulares, limitando suas funções, com aparecimento de calos ósseos. Sua manifestação geralmente acontece na mulher por volta dos 55 anos e no homem por volta dos 45 anos

 

Tendinite: é uma inflamação de um ou mais tendões, que são as estruturas fibrosas que conectam os músculos aos ossos. Se não tratada corretamente, pode se tornar crônica e dificultar a execução de atividades rotineiras, como escrever, digitar ou mesmo girar a maçaneta de uma porta.

Síndrome do Túnel do Carpo: é a compressão do nervo mediano que provoca, em geral, dor, formigamento, dormência e falta de força, prejudicando o dia a dia.

 

DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho): é um quadro decorrente do desgaste da própria atividade profissional, quando a pessoa adoece por não tomar o devido cuidado na maneira de realizar suas atividades, ou não respeitar as pausas necessárias ao longo da jornada de trabalho.

 

Para que estas doenças não cheguem a um quadro grave de perda de função, é importante fazer a prevenção e o diagnóstico precoce. Assim que começam os primeiros sintomas de dor e desconforto nas mãos e punhos, as pessoas devem procurar um médico ortopedista especialista, que poderá fazer o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado.

 

SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO

Túnel do carpo é um canal formado por pequenos ossos situados no punho, por onde passam o nervo mediano e nove tendões responsáveis pela flexão dos dedos. A síndrome do túnel do carpo é uma neuropatia resultante da compressão do nervo mediano no canal do carpo, decorrente do aumento da pressão pelo aumento do tecido sinovial.

 

Esse quadro é ocasionado principalmente por excesso de movimentos de flexo-extensão, isto é, a flexão e a extensão do punho, como escrever no computador, usar a máquina de calcular ou tocar instrumentos musicais. Também pode ter causa traumática, como quedas e fraturas, causa inflamatória e, ainda, causa hormonal - por isso, mulheres são mais sujeitas à síndrome no período do climatério ou durante a gravidez.

 

Sintomas da síndrome do túnel do carpo

 

O principal sintoma é a parestesia (sensação subjetiva na pele vivenciada com ausência de estimulação) que ocorre fundamentalmente no polegar, no indicador, no dedo médio e na face interna do dedo anular. É uma sensação de formigamento e dormência que se manifesta mais à noite por causa da retenção de líquido comum nesse período e a posição de flexão do punho durante o sono

 

Pode haver ainda a perda da sensibilidade ao manipular estruturas pequenas e executar tarefas simples do dia a dia como pegar pequenos objetos.

 

Como é feito o diagnóstico

 

Existem dois testes que ajudam a estabelecer o diagnóstico, que é basicamente clínico:

 

Teste de Phalen: consiste em dobrar o punho do paciente e mantê-lo fletido durante um minuto. Nessa posição, a pressão dentro do túnel do carpo aumenta de quatro a cinco vezes, e se houver compressão do nervo, os sintomas pioram.

 

Teste de Tinel: consiste em percutir o nervo mediano, o que provoca sensação de choque e formigamento se ele estiver comprometido.

 

Existe ainda um exame complementar para comprovação definitiva do diagnóstico, chamado eletroneuromiografia, que permite medir a condução sensitiva e motora do nervo mediano dentro do túnel do carpo. Outros exames também podem ser úteis como a Ultrassonografia ou a Ressonância magnética.

 

Se você apresenta os sintomas, procure um médico ortopedista especialista em mãos. Ele poderá fazer o diagnóstico e avaliar o grau de comprometimento da doença, podendo indicar a colocação de uma órtese ou uso de anti-inflamatório. Se for mais grave, poderá indicar o tratamento cirúrgico.

 

DEDO EM GATILHO

Dedo da mão que permanece dobrado, precisando fazer força para esticá-lo, pode ser sintoma de uma tenossinovite estenosante, popularmente conhecido como “dedo em gatilho”. Pode haver inchaço e diminuição de movimento do dedo afetado, dor na base dos dedos ou na palma da mão. Muitas vezes, percebe-se um estalido ou ressalto parecido com um gatilho ao tentar esticar o dedo.

 

Os dedos mais atingidos são o polegar, o médio e o anelar e os sintomas costumam piorar pela manhã devido ao aumento do inchaço e a falta de movimento durante o sono.

 

Afeta mais comumente as mulheres de meia idade, mas também atinge pessoas de todas as idades, até mesmo bebês.

 

O que pode provocar o dedo de gatilho?

 

A doença ocorre devido à inflamação nos tendões flexores, responsáveis por dobrar os dedos. Pode ser congênito (nascer com ​​o problema) ou adquiri-lo ao longo da vida.

 

Qualquer condição que predisponha inchaço e acúmulo de líquido, como gestação, hipotireoidismo , diabetes, artrite reumatoide, estão relacionadas ao dedo em gatilho.

 

Atividades manuais repetitivas e intensas, como grampear papéis muitas vezes ao dia ou carregar várias sacolinhas de supermercado apoiadas nos dedos, podem disparar o problema. Levantamento de peso durante o treino de academia também favorece o início dos sintomas.

 

Como tratar o problema?

 

A reabilitação é a primeira escolha. Repouso, evitando atividades manuais repetidas, também é fundamental. Imobilização com órteses pode ser necessárias, bem como o uso de medicamentos específicos.

 

Casos mais graves pedem intervenção cirúrgica. O importante é, ao menor sinal de manifestação da doença, procurar imediatamente um médico especialista em mãos.

 

FRATURA NO PUNHO

Ao cairmos, a primeira coisa que fazemos, na tentativa de proteger o rosto e outras partes do corpo, é estender as mãos em direção ao solo. Como consequência, os punhos sofrem uma grande pressão e podem sofrer fratura.

 

O rádio é o maior osso do antebraço, e a extremidade desse osso, na altura do punho, é chamada distal. A fratura do rádio distal é a mais comum do membro superior e uma das mais frequentes de todo o corpo. Corresponde a, aproximadamente, 1/6 de todas as fraturas atendidas em serviços de pronto-socorro do país.

 

Qual o público que mais fratura o punho?

 

Fraturas de punho são muito comuns em crianças entre 6-10 anos, época em que o osso está em desenvolvimento e apresenta regiões ainda não completamente ossificadas, e por volta dos 50-60 anos, quando a fragilidade decorrente da osteoporose torna a região sensível a traumatismos, especialmente quedas.

 

Com aumento dos acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motocicletas, a incidência dessa fratura aumenta a cada ano e apresenta padrões cada vez mais complexos.

 

Como ocorrem as fraturas de punho?

 

Um trauma pode fazer com que o rádio distal se frature de diversas formas: fratura de Colles (quando o fragmento do osso desvia-se para o dorso), fratura intra-articular (quando se estende à articulação), fratura aberta (fratura exposta) e fratura cominutativa (quando o osso se quebra em mais de dois pedaços).

 

Os principais sintomas são dor, hematomas e inchaço e, em alguns casos, deformidade do local.

 

E o tratamento, como é feito?

 

A definição da melhor forma de tratamento deve ser feita na fase aguda, e para isso, uma avaliação cuidadosa do ortopedista especialista em mão é importante para evitar tratamentos insuficientes e complicações que gerem deformidades ou diminuição do movimento do punho.

 

Normalmente, o primeiro tratamento em caso de fratura tem caráter de emergência, com imobilização com talas ou gesso da axila ao punho, evitando a movimentação do membro. Quando não é possível posicionar o osso adequadamente para imobilizar ou quando o caso é mais grave, a intervenção cirúrgica pode ser indicada. O especialista deve esclarecer o paciente sobre o procedimento mais indicado: inserir pinos intraósseos (fios de aço), placas e parafusos ou fixadores externos.

 

O que fazer para uma boa recuperação?

 

O acompanhamento posterior por um ortopedista especialista em mãos é fundamental. Ele pedirá que sejam feitos exames de raio-x periódicos, para avaliação da consolidação óssea. São cerca de 45 dias para que o osso se consolide. Também avaliará a necessidade de reabilitação, dando todas as orientações para a plena recuperação dos movimentos e funções.

 

Em caso de fraturas, procure sempre um especialista.

 

ARTROSE NAS MÃOS MADURAS

E, de repente, atividades cotidianas como abrir um frasco, girar uma chave ou agarrar uma caneta, tornam-se experiências dolorosas. O que há de errado? O envelhecimento tem um impacto significativo nos ossos e articulações, especialmente nas mãos e punhos. Com o tempo, as articulações têm suas cartilagens consumidas pela intensa atividade das mãos. A força diminui. Os músculos do antebraço e da mão enfraquecem e perdem a capacidade de proteger as articulações. Nascem então os casos de artrose, também conhecida como osteoartrose ou osteoartrite. A artrose é uma inflamação que inicia-se na cartilagem, atinge a articulação e faz com que os ossos criem formações ósseas (osteófitos), os famosos “bicos de papagaio”. Ela geralmente ocorre nos dedos, chegando a deformar as mãos. Muitas vezes, as pessoas aceitam a dor em suas mãos e dedos como uma parte natural do envelhecimento. Mas, apesar da doença não ter cura, não é preciso viver com dor.

Mas afinal, o que é a artrose?

 

A artrose é um tipo de artrite, uma inflamação das articulações. A cartilagem das articulações promove o deslizamento, sem atrito, entre duas extremidade dos ossos. A artrose desgasta essas cartilagens e as articulações, pode também prejudicar os ligamentos e o líquido sinovial. Esse comprometimento gera, principalmente, dores nas articulações, sobretudo no final do dia, além de inchaços e limitações do movimento. Surgem também “nódulos” ósseos, que causam as deformidades nas mãos. A artrose, além de ser ocasionada pelo envelhecimento, tem componentes genéticos, mecânicos e é mais frequente nas mulheres. Pode também, estar relacionada a doenças sistêmicas como artrite reumatoide (reumatismo), lúpus e gota.

 

Como tratar?

 

A artrose piora progressivamente com o tempo e, infelizmente, ainda não existe cura para ela. Mas os tratamentos podem retardar a progressão da doença, aliviar as dores e melhorar a função articular. Medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, fisioterapia, imobilização, infiltrações de cortisona ou ácido hialurônico e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos, podem ajudar... E muito! O fundamental é buscar, o quanto antes, um médico especialista em mãos, para decidir qual o melhor tratamento a seguir.

 

Como prevenir?

 

O cuidado com as articulações pode promover a saúde desta parte do corpo. A prática de atividades físicas, boa alimentação e rotina de sono é a melhor forma de envelhecer com saúde. Alongamento dos dedos, punho, cotovelo e mãos ajudam a manter a flexibilidade das articulações.

Aprenda poupar energia, melhorando a postura para a realização das atividades habituais. Ao escrever, use uma caneta mais grossa, assim você fará menos força. Ao usar o tablet ou o celular, digite com mais de um dedo ou use uma caneta especial para esses aparelhos.

 

Outros problemas podem surgir com o envelhecimento das mãos. A sensibilidade dos dedos pode diminuir, aumentando a possibilidade de lesões por objetos cortantes. A Síndrome do Túnel do Carpo que acomete os punhos, também é mais frequente em pessoas idosas. A diminuição da densidade óssea, também conhecida como osteoporose, torna os pacientes idosos mais vulneráveis ​​a fraturas. O importante é, ao menor sinal de desconforto, procurar o médico especialista em mãos para colaborar com um envelhecimento saudável e feliz.

 

DOENÇAS NA GRAVIDEZ E PÓS-PARTO

A gravidez é um momento mágico na vida de uma mulher. Quando o bebê chega ao mundo, o toque das mãos é uma das formas de conexão entre ele e sua mãe. No entanto, existem doenças que podem atingir as mãos e punhos das mulheres no período da gravidez e do pós-parto, atrapalhando muito este momento tão especial. E mesmo mãos saudáveis merecem atenção nesta fase: existem cuidados que devem ser tomados na hora de pegar o bebê, segurar no colo ou mesmo amamentar.

 

Quais doenças podem atingir as mãos na gravidez?

 

Na gravidez, a mulher naturalmente retém líquidos e, por consequência, fica inchada. As mãos também não escapam. No entanto, quando o inchaço nas mãos (e até mesmo nos punhos, braços e ombros) é acompanhado de dor, queimação ou formigamento, perda de força e dormência, pode ser sinal da Síndrome do Túnel do Carpo.

 

O túnel do carpo é um pequeno canal que fica no punho, por onde passa um nervo importante. Com a retenção de líquido, a pressão dentro do túnel aumenta, comprimindo esse nervo e comprometendo o bom funcionamento das mãos, atrapalhando o dia a dia e até o sono da gestante. A síndrome costuma ser passageira, geralmente sumindo nos primeiros dias ou meses após o parto. Em alguns casos, porém, a intensidade e a duração do quadro pode ser maior.

 

Outra doença muito comum nesta fase é Tenossinovite de De Quervain ou Tendinite Gestacional. É a inflamação dos tendões dos punhos das gestantes (mais precisamente da bainha do abdutor longo e do extensor curto do polegar) e pode ser causada pelas alterações hormonais dessa fase. O problema geralmente surge na gravidez, mas pode piorar no pós-parto, sobretudo pela rotina de cuidados com o bebê (pegar no colo, dar banho, trocar fralda, ninar e amamentar), que pode forçar ainda mais a área inflamada. Os sintomas são dor nos punhos e fraqueza, principalmente nos movimentos de torção e desvio do mesmo.

 

Como é feito o tratamento?

 

Diante de qualquer desconforto ou dor nas mãos, é importante procurar um médico especialista em mãos. Ele pode indicar o tratamento com imobilização e reabilitação, e mesmo antes do nascimento do bebê podem ser ministradas medicações específicas. Casos mais complicados e persistentes, uma intervenção cirúrgica se faz necessária.

 

E para prevenção de lesões nas mãos, alguma recomendação?

 

Manusear um bebê recém-nascido é um grande desafio, principalmente para as mães de primeira viagem. Algumas medidas ajudam a prevenir ou aliviar as dores que podem surgir nas mãos:

 

- Sempre que manipular o bebê, evite fazer muita força com o polegar. Você pode mantê-lo aberto (separado da mão) ou dobrado (contraindo em direção ao bebê).

- Na hora de amamentar, procure segurar o bebê em uma posição confortável, sempre apoiado no antebraço, sem requisitar o esforço da mão. O uso de uma almofada apropriada pode ajudar.

- Faça movimentos circulares com os punhos de tempos em tempos e várias vezes ao dia, para relaxar os ligamentos e alongar os músculos.

- Aproveite qualquer tempinho para deixar todo o membro superior relaxado, nem que por cinco minutos, entre segurar seu bebê, trocar fraldas e amamentar.

- Alongue todo o membro superior e região cervical. Lembre-se que todo o movimento é uma combinação de movimentos de todo o corpo. Se sua coluna e ombro estiverem cansados, você fará mais força com os braços e mãos .

Curta muito esse momento tão especial sabendo que, sempre que precisar, pode contar com as mãos do médico especialista.

* Dra. Leila Fernandes Araujo é ginecologista e obstetra da Clínica Essere e colaborou com o texto.