As mãos do Maestro

João Carlos Martins é um grande pianista e maestro brasileiro. Seu trabalho é reconhecido mundialmente. Foi um talento precoce, tendo vencido diversos concursos ainda criança. Tocou com as maiores orquestras internacionais e conseguiu o feito de gravar a obra completa de Bach para teclado.

 

 

 

É um exemplo de superação: tem um histórico de incidentes graves que afetaram os movimentos de suas mãos, passando por inúmeras cirurgias ao longo de sua vida, mas que nunca o impediram de fazer música.

 

 

O que houve com as mãos do maestro?

 

Aos 20 anos, no auge de sua carreira internacional como pianista, João Carlos sofreu uma queda em Nova Iorque e perfurou seu braço direito na altura do cotovelo, atingindo o nervo ulnar (que vai do ombro até o dedo mínimo), provocando atrofia de músculos da mão. Depois de um ano parado, ele voltou aos palcos.

 

Devido ao uso excessivo das articulações das mãos e punhos, que treinavam de 12 a 14 horas por dia ao piano, ele desenvolveu distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). João Carlos se submeteu à intensa reabilitação e algumas adaptações e, assim, conseguiu gravar praticamente toda a obra de Bach.

 

Aos 55 anos, foi atingido por uma barra de ferro na cabeça durante um assalto, na Bulgária. A região cerebral afetada provocou uma sequela neurológica que comprometeu todo o membro superior direito (clavícula, escápula, braço, antebraço e mão) e até a fala. Depois de cirurgia e reprogramação cerebral, conseguiu voltar a tocar com as duas mãos.

 

No entanto, ele ainda desenvolveu no membro superior esquerdo uma doença chamada contratura de Dupuytren, que provocou a diminuição dos movimentos da mão esquerda com a flexão excessiva dos deddos. Isso o impediu de tocar piano definitivamente.

 

O que é a contratura de Dupuytren?

 

É uma doença de caráter genético ou associada ao tabagismo, doenças vasculares, epilepsia ou diabetes, que provoca contratura da mão em flexão e o espessamento da fáscia palmar (tecido que fica logo abaixo da pele na mão), tracionando os dedos em direção à palma da mão.

 

Quando a contratura interfere na atividade motora, é necessário tratamento cirúrgico para liberar os dedos em flexão.

 

E João Carlos, o que fez diante disso?

 

Aos 63 anos, João Carlos começou a reger. Devido à dificuldade de coordenação dos movimentos dos dedos, ele não conseguia segurar a batuta ou virar as páginas das partituras dos concertos na velocidade necessária. Então o maestro faz um trabalho minucioso de memorizar nota por nota!

 

Entretanto, começou a desenvolver distonia no membro superior esquerdo, uma doença do sistema nervoso que provoca movimento involuntário dos músculos (espasmos), o que o impediu momentaneamente de reger. Foi submetido a uma cirurgia no cérebro para a implantação de eletrodos e recuperou os movimentos da mão esquerda.

 

João Carlos Martins já recebeu muitas homenagens por sua história. Foi enredo de escola de samba e o filme sobre sua vida será lançado no cinema na próxima semana. Apesar de ter enfrentado diversos problemas em suas mãos, maior instrumento de seu trabalho, o maestro nunca desistiu da música. Continua fazendo o que ama e brilhando até hoje.

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